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The End, by The Doors

por P. Barbosa, em 26.06.08

É quase meia-noite, o meu corpo dói. A dor na base da nuca, a pontada ao fundo das costas, os músculos que em vez de segurar a vida, puxam para baixo, pesam no corpo, como se estivessem a mais.

A carne quente parecia que apodrecia, os olhos mortos levemente acordados pelo ar fresco da cidade, que não deixava morrer, e pelo passar das nuvens no céu escuro, iluminadas por uma cor de fogo das luzes das ruas e das casas cheias de vida. Será que morro, será que vivo? Os carros passam, ao largo, no seu ruidoso silêncio, procurando não perturbar o meu frágil equilíbrio, mas inconscientes do que se passa.

Depois do corpo mortal é a consciência que fraqueja, a cabeça zonza, os pensamentos sem saber para onde ir, se ficam ou se vão. O coração ainda bate, sereno, porque ninguém lhe explicou a vida, ninguém lhe disse que onde bate sofre alguém, porque não sabe que o seu destino um dia é parar. E se esse é o seu destino, então porquê não parar já, porquê continuar uma luta inglória, sem vitória? Será que foi por causa disso que não deram uma consciência ao meu coração? Será por causa disso que não o posso mandar parar, ou falar com ele? Explicar-lhe que não vale a pena, convencê-lo que é melhor começar o descanso eterno agora que depois? Ele dá-me vida, mas não me ouve. Ignora-me. Eu posso dar-lhe a morte, mas não me obedece.

O vento frio acelera, num último esforço, percorrendo o meu rosto e descendo até ao meu peito. Sinto o cheiro a morte quente que sai lentamente em direcção ao céu. Renasço, pronto para a morte de amanhã.

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publicado às 22:09

Sustos e companhia

por P. Barbosa, em 18.06.08

 

Ontem vim de avião do Porto para Lisboa, num daqueles pseudo-aviões da Portugália.

Pelo chão andava um apoio de braço e mais uma peça que não reconheci. Esperei que não fosse essencial.

As duas hospedeiras eram simpáticas e profissionais. A trintona abanava elegantemente as ancas. A quarentona um pouco mais, talvez para compensar algo, porque só assim acha que obtém o efeito desejado. Inconsciente ou não, funciona.

Por cima das janelas uns objectos de plástico a fingir de cerâmica da Vista Alegre. Não percebi para que serve isto...

O piloto, na abordagem à pista, torna-se louco. Trava, acelera, trava, acelera, um repentão quando toca na pista e, juro, aterra meio de lado. Vislumbrei um meio sorriso amarelo numa das hospedeiras. O meu colega do lado, que não é um iniciado nestas coisas dos aviões, disse que se ia cag**** todo.

A dúzia de putos com camisolas brancas que vinham numa qualquer excursão devem ter achado o máximo e irromperam em aplausos...algo que já não via desde as viagens ao Brasil dos anos oitenta.

Eu, como grande parte das pessoas, tenho aquele medo (irracional) das viagens de avião, mas nos últimos anos nem tanto. Ou estou mais inteligente (o que duvido) ou importo-me cada vez menos. Ao contrário do meu colega, eu acho que já me cag*** para isto tudo.

Gozei os abanões como os putos do avião.

Ena, ainda cá estou.

 

 

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publicado às 22:07


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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