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A vontade das vontades

por P. Barbosa, em 31.07.08

Hoje apetece-me dizer disparates.

Se há alguma coisa mais estranha que a estranheza de um estranho é a vontade das vontades.

A vontade é a força fundamental que nos permite identificar a vida. A vida dos outros, que não a nossa. A nossa pode ser percebida mesmo que achemos que não temos vontade nenhuma. Embora isso seja uma falsidade. A vontade nenhuma é apenas uma vontade escondida com o rabo de fora.

Mesmo que se mova apenas à velocidade de um caracol em câmara lenta, que só seja visível com um microscópio, se mexe e faz qualquer coisa então está viva, porque uma vontade a faz mover. Ao contrário, se tudo ficar quieto é declarado morto e vai a enterrar.

O que não se sabe e eu (acho) que sei, é que a vontade tem vontade própria. Explico e exemplifico; a fome, por exemplo, é apenas uma vontade de comer e que tem vontade de morrer.

Assim, sem mais nem menos.

A fome faz nascer a vontade de comer, e esta tem vontade de morrer. Sim, é verdade. Tem vontade própria, tem vontade que a fome seja saciada para que possa desaparecer e morrer em paz.

E enquanto não a matamos (a fome e vontade) ela não desiste, o seu espírito suicida contorcendo-se e torcendo-nos o braço à força e obrigando a boca a chafurdar no prato. É feliz quando morre. Provavelmente leva uma existência sofrida. Também há pessoas que ficam felizes quando morrem.

As vontades, que tem vontade própria, vivem numa sociedade organizada como a nossa e, imagino, adoptaram o sistema democrático para que a vontade maior (chamemos assim ao bicho que tem vontade de escrever este post) saiba o que fazer. Sim, tem que haver um sistema parlamentar qualquer.

Se tenho fome e, ao mesmo tempo, estou aflito para ir à casa de banho alguém tem de decidir o que fazer primeiro. E não sou eu que vou decidir isso, não vou não. Não é a fome ou o mijo que define a minha existência. Não preciso dessas vontades para nada. Fico simplesmente à espera que me seja indicado o caminho, se para a esquerda para o lado da cozinha, se para a direita em direcção à casa de banho.

E eu obedeço obedientemente.

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publicado às 00:15

Segredos Perfeitos

por P. Barbosa, em 14.07.08

 

Basta olhar para encontrar.

Os Segredos Perfeitos não podem ser ditos, apenas sentidos.

Basta olhar para encontrar.

O maior segredo de todos é aquele que não pode ser visto, porque é tudo.

Basta olhar para encontrar.

Está mesmo li, esfregando-se descaradamente na tua cara.

Consegues ver?

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publicado às 23:07

Zodiak - Segredos Perfeitos

por P. Barbosa, em 10.07.08

É claro que, a bem da espécie, esta não pode compreender o seu destino, sob pena de tudo se desmoronar. O segredo não pode ser revelado, tem de ser protegido a todo o custo mesmo que, por defeito de fabrico sabe-se lá, o homem procure incansavelmente a resposta a uma pergunta que julga saber formular.

A melhor maneira de proteger um segredo é torná-lo incompreensível, não inteligível para estes que, apesar disso, tanto procuram, tanto inventam.

E melhor ainda será se julgarem que são donos do seu destino, inventarem “humanidades”, “inteligências” e “livre arbítrio” mas não sendo sequer capazes de perceber que aquilo que fazem ao longo da maior parte das suas vidas é o oposto disso tudo, um exercício de egoísmo, de egocentrismo, de inveja, de medo, escravizados ao serviço de uma vontade alheia, manipulada por alguém ou alguma coisa.

Mas é melhor assim. Imagine-se o que seria se a formiga soubesse o que é e para que serve na verdade. Imagine-se que esta descobria, compreendia, que quando decide qual a direcção a tomar ao caminhar no chão da floresta, se para a direita se para a esquerda, na sua consciência inventada, tal como todas são, o que seria se ela percebe-se que na realidade está a apenas a escolher inconscientemente na sua consciência o caminho que tem a maior intensidade de feromonas deixadas por alguém ou por alguma coisa, que tem uma agenda e objectivos que ultrapassam a sua minúscula existência.

E quando a formiga pensa na sua existência, nas decisões que toma ou deve tomar, na sua inteligência inventada como todas são, não sente que ela não decide nada, não sente que está ali para servir um propósito que nunca será capaz de compreender, que a sua inteligência está a ser manipulada para servir uma outra inteligência superior que a ultrapassa, e que por sua vez essa inteligência superior existe, também, para servir uma outra que não é capaz de compreender ou reconhecer, num exercício sempre crescente e infinito, sei lá.

E assim, a formiga é dotada da capacidade de compreender apenas aquilo que deve ser compreendido para o bem maior, talvez sendo capaz de perguntar “quem sou, o que faço?”, talvez sendo capaz de compreender o que está à sua volta, mas sem nunca sentir que a sua inteligência, na realidade, não existe, é apenas um programa de software sofisticado programado por alguém para fazer uma coisa que não poderá entender, destinada a viver dentro de um computador sem perceber que existe todo um universo fora dele.

 

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publicado às 00:23


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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