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O sono da vida que me atormenta

por P. Barbosa, em 31.08.08

Se fosse a vocês não voltava cá. Estes blog é post sim, post sim, a encarnação deprimente da vontade. Mas é mais forte do que eu.

Mas agora a sério, estou a trabalhar num projecto pessoal (a muito esforço) que é escrever sobre coisas mais alegres e que dão felicidade às pessoas, que elas normalmente gostam, que as põem satisfeitas, por exemplo o amor. Ou o açúcar, ainda não decidi.

Mas agora não me posso conter e tenho de escrever mais um post deprimente. Dá-me tesão.

Cá vai;

Fecho os olhos e preparo-me. Tento adormecer, ou sono tenta me afastar da mente, não sei bem.
Luto, na mesma.
A minha consciência falante e sonolenta fica a falar com ela própria, sem saber bem onde está e o que fazer. Sim, o que fazer dentro de um buraco negro, sem ninguém para falar, ouvir ou fazer.
Seja como for agarro-me à vida, num movimento tão inútil quanto cobarde. Prefiro o buraco escuro e ficar sozinho para toda a eternidade que desaparecer no vácuo. Um acto corajoso sem dúvida.
Para todos os efeitos vivo neste momento num universo paralelo, ao qual mais ninguém tem acesso, só meu. Será assim a morte? Ficarmos sozinhos, apenas falando e ouvindo a nós próprios? Será isto o inferno?
Resisto, mas sou sempre vencido.
Às vezes gosto de pensar que, se isso acontecer, se ficar sozinho para toda a eternidade, me bastará sonhar, sonhar para sempre, sonhar com um universo, com um mundo, com uma existência, e será uma questão de tempo até que o sonho se confunda com a realidade, que a última substitua a primeira (porque só pode existir uma coisa), porque podemos escolher, porque basta acreditar, porque a realidade não é nada mais que um sonho em que acreditamos, e assim posso renascer, voltar a viver.
 
Desapareço, a palavra a última coisa a desistir depois de todas as outras me terem abandonado, para renascer miraculosamente na manhã seguinte como que transplantado num novo mundo.

Abro os olhos e sinto o meu primeiro sopro. “Vai à tua vida” - diz Ele sem dizer.


Pronto, já acabou. Não doeu pois não?

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publicado às 00:01

Latex

por P. Barbosa, em 20.08.08

Fecundar nem sempre é a atitude responsável. Por alguma razão misteriosa, o acto sexual, que tanto prazer dá e por isso tantas vezes é procurado e repetido, é simultaneamente o acto que permite multiplicar corpos e almas.

 

E nesta consciência consciente que tanto caracteriza o homem, neste estado de evolução da natureza, aquele que habita a carne compreende e desenvolveu coisas tão contra-natura como a contracepção.

 

Nenhum outro animal ao longo de toda a história da vida alguma vez se tinha lembrado de tal coisa, nem sequer está programado para pensar semelhante ideia.

 

A contemplação de tal possibilidade só está permitida àqueles que já subiram vários degraus na escada da auto-consciência, e que conseguiram alguma forma de libertação das necessidades mais mundanas e básicas da Mãe Natureza, necessidades essas que estão reflectidas no ADN que dá corpo ao corpo e que é a bíblia sagrada do mesmo.

 

Este facto assinalável é igualmente um sinal claro de que o homem é um bicho diferente dos outros, se não em formato será em escala, porque se comporta como se dois destinos independentes e autónomos preenchessem o mesmo espaço, o mesmo corpo, cooperando muitas das vezes, lutando entre si noutras, enganando-se um ao outro nas que sobram, numa mistura que não se sabe bem onde acaba um e começa o outro.

 

E assim, conscientemente, envolvo o pénis no seu casulo de látex, porque não quero fecundar, enquanto o corpo, sorrateiramente, injecta-me no sangue as hormonas necessárias ao desejo do acto, porque este quer fecundar.

 

E é neste jogo de engano mútuo que se desenrola a vida (e sabe-se lá quem engana quem), uma corrente de necessidades, vontades e acções que conscientemente não se sabe bem a quem pertence.

 

A que eu queria partiu há muito tempo, nunca mais deu notícias nem procurou falar. Eu faço o que posso. Não podendo ter quem quero substituí o desejo por um sucedâneo que passa por ela, imaginada no quarto escuro que geme. Quando acaba a vontade nasce uma dor, a dor consciente de saber que quem está por debaixo não é ela. É a dor da frustração resignada, a dor da cobardia.

 

Latex contra Latex

 

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publicado às 23:28


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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