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Sabes, gostava poder olhar-te e sentir que não estou frente a um espelho.

Temos a espessura de um vidro vulgar banhado a prata falsificada. Toco-te para saber se és real, e és. Olho-te para além do reflexo que és, e és nada.

 

Temos a Espessura de Um Vidro Vulgar Banhado a Prata Falsificada

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publicado às 11:07

Mensagem para o dono do mundo; vai-te foder

por P. Barbosa, em 25.08.10

Eu sei que não há dono do mundo. Ele é livre como os pardais na primavera.

 

É essa liberdade, essa inconsciência, que usa para praticar as maiores atrocidades humanas.

 

Hoje fui informado que um sobrinha tem um cancro maligno. Uma menina de 6 anos. O mundo perverso aquele em que vivemos: maligno. Cheio de pus que nunca saberá que é pus. Que não se digna a saber que é torpe.

 

À cerca de um ano escrevi um texto para uma pretensa obra em que morria uma menina de 6 anos. Naquele instante, em que escrevi aquilo, pensei se o devia fazer, pois a minha filha também tinha 6 anos. Não acredito em deuses de qualquer formato ou feitio, estou-me a cagar para esse tipo de coisas, acho tudo isso (perdoem-me) uma fraqueza humana.

 

Não acredito em premonições ou coincidências, isso tudo é apenas uma trágica mania do homem que julga que sabe sem saber nada, mas apesar de viver neste estranho formato que se está a cagar para estas coisas todas, não pude evitar de pensar se devia escrever aquilo.

 

Como penso agora se devo escrever isto. Parece que, pelo facto de a estar a escrever, a coincidência que não é, é.

 

 

PS: Mensagem para o dono do mundo; vai-te foder.

 

 

 

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publicado às 23:25

A urgência do imediato é o fôlego que nos tira a respiração.

 

A vida orienta-se sozinha, não precisa de nós para nada.

Vivemos aprisionados.

Vivemos a vida que entra olhos adentro. Sentimos as cores, os sabores e os sons de tudo aquilo que vem lá de fora; e essas coisas todas entram sem serem convidadas, entram e tomam conta de nós.

 

Tomam conta das nossas dores, dos nossos amores, das nossas ansiedades, das nossas palavras, dos nossos medos e das nossas alegrias; da nossa vida.

Vivemos aprisionados nelas.

A urgência do imediato comanda o prisioneiro que todos os dias faz igual a ontem e que fará igual amanhã.

 

E à força de tanto cativeiro já não sabemos viver longe da prisão.

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publicado às 21:19

A Vida É Uma Derrapagem Controlada

por P. Barbosa, em 10.08.10

A vida é uma derrapagem controlada.

 

Arremessam-nos encosta abaixo assim que nascemos e não há maneira de voltar para trás.

 

Há quem faça a encosta aos ziguezagues, há quem a faça cravando os pés no chão com toda a sua força, para atrasar o movimento, há quem julgue que pode voltar a subir apenas para acabar por descobrir que está a andar de marcha atrás, há quem a faça sempre a direito e a toda a velocidade, há quem decida virar à direita para descobrir que escolheu o precipício, há quem a faça com os olhos fechados ou com eles voltados para o céu, há quem a faça a sorrir, há quem a faça a chorar.

 

A encosta é povoada de árvores que não nos deixam ver o fim, se voador, precipício abaixo, se doloroso contra uma rocha, se suave e tranquilo como um esquiador que atravessa a meta.

 

Um dia poderemos vislumbrar esse fim, calcular o tempo que ainda resta até àquele que mais abaixo empunha, freneticamente, a bandeira de meta.

 

Acho que se acabou. 

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publicado às 23:11

Lembrei-me agora...

por P. Barbosa, em 09.08.10

"A verdade é apenas a mentira em que nós acreditamos"

 

Nota para mim mesmo: dizer isto três vezes todas as noites antes de adormecer.

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publicado às 14:52

Uma noite, ao adormecer, o medo apoderou-se de mim. Era um medo de desaparecer que não tinha razão de ser. Por aquela altura, vivia entre o desejo de morrer e o conforto do torpor proporcionado pelo viver.

 

Mas naquela noite em particular, quando senti a consciência escorregar para o adormecimento, nasceu uma acelerada palpitação no coração, um estranho instinto do corpo que só podia ser esse tal medo de desaparecer. Não voltei a dormir nessa noite nem na seguinte, e só quando me senti satisfeito com uma explicação é que o sono voltou a vencer.

 

Tenho agora a estranha opinião de que aquilo que comummente se costuma chamar de alma é uma vontade que não quer desaparecer ao adormecer, porque não sabe que outra vai acordar no seu lugar. É apenas mais uma vontade, a juntar à colecção que o homem detém, mas especial e de diferente qualidade.

 

A maior parte das vontades são estrelas cadentes que se consomem numa grande explosão de emoção, e quanto mais cedo melhor. A fome, e a correspondente vontade de comer, não desiste enquanto não leva o burro à palha.

 

E se este se atrasa torce-lhe o estômago e a fome torna-se agonizante, capaz até de o fazer correr a quatro patas. Mas depois de satisfeita a fome, esta desaparece na obscuridade, remetida para uma não existência.

 

Desaparece num acto de suicídio natural, satisfeita consigo própria, tal como o louva-a-deus macho faz quando se coloca à disposição da fêmea, após o acto que o justifica, e é alegremente devorado por esta.

 

Talvez estas vontades saibam que o seu desaparecimento é apenas temporário, como se ficassem subitamente cansadas e precisassem de ir dormir, ou então não dão importância nenhuma à sua morte.

 

Mas o que importa é que o mesmo se passa com quase todas as outras vontades, seja a dor (não o sentimento de dor, mas o sentido de urgência que toma conta do bicho logo de seguida), a vontade de ser feliz (e não digam que há pessoas que são felizes para sempre, até dói de pensar nisso), o amor, a sede e a vontade de beber, e outras que tais.

 

Mas em contraponto a este formato de funcionamento e de ser, está um outro que faz movimentar uma estranha vontade, uma vontade única e especial que não quer ou não deseja um toque, um sabor, um som, uma imagem, ou simplesmente uma emoção. Quer apenas ser perene.

 

Quer apenas nunca ter de ir dormir, de não deixar de existir, com medo de desaparecer, mesmo sabendo que a seguir a dormir pode voltar a acordar.

 

Talvez seja por isso que o homem tem tanta dificuldade em se explicar a si próprio, em classificar e identificar a sua existência, em perceber a noção de que está aqui, que existe, porque essa vontade que o define não tem como missão procurar um sabor, evitar uma dor, ou sentir uma emoção.

 

Quer apenas, numa existência asséptica e inodora, continuar a ser, para sempre.

 

Não sabe a nada.

 

Como pode tal coisa ser percebida, classificada?

 

Acho que o louva-a-deus não deve ter alma.

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publicado às 18:13


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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