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A Chuva negra que, viva, mata.

por P. Barbosa, em 31.10.10

 

Levanto-me sempre quando recomeça a chuva. Quando ela pára aborreço-me.

 

Fico a olhar o vazio da rua e só vejo nada e a luz amarela dos candeeiros. Fico à espera que recomece o som da água fresca que cai mas só vejo nada; o parado que se monta quando a chuva morre.

 

Pareço morto, pareço aguardar que a chuva me salve desta vida morta que se monta sempre que me dou conta.

 

O fresco é pouco. O frio vivo que me alisa a pele é apenas um prenúncio, um sopro que me arrepia e me faz desejar mais ainda que a chuva venha e leve de uma vez, como numa enxurrada de surpresa, a vida morta que se monta à janela do meu caixão.

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publicado às 19:08

A Cadeirinha Azul (Curta)

por P. Barbosa, em 23.10.10

O gancho entrou pela garganta e saiu pela boca jorrando sangue. Não a deixou cair ao chão. Segurou-a como quem segura um peixe num anzol e ficou a olhar-lhe os olhos marcados de morte. O destino tinha chegado. O destino tinha sido descongelado. O destino dela; o nosso destino; o destino.

 

 

A Cadeirinha Azul

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publicado às 11:46

O Beijo; Alguma vez te sentiste vivo?

por P. Barbosa, em 13.10.10

O Beijo

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publicado às 00:12

Falávamos os quatro e eu olhava o meu irmão. Ele é uma imagem atrasada de mim.

 

Começava-lhe a assentar a meia idade nos vincos que lhe marcavam as preocupações da vida, incerto da metade que ficou para trás e na dúvida da metade que ainda está para chegar.

 

Via-lhe os últimos rastos de uma juventude que lhe conhecia e que agora se perdia. Que fazer? Que fazer com aquilo que se teve e com aquilo que está para chegar? Como largar aquilo que ficou para trás? Como abraçar esse incómodo de uma mudança que não tem derrota possível?

 

Pensei nos meus filhos, na sua juventude e inocência e que era, ao mesmo tempo, a minha juventude que se foi, e que ao mesmo tempo continuava ali. Se tenho de a perder, então que seja para alguém que amo; que amo. É a minha vingança contra a marcha inexorável do tempo.

 

Digo-vos com toda a honestidade que existe e pode existir, com aquela honestidade que apenas se encontra nas palavras rasas que são incapazes de esconder outra coisa por deatrás; que os amo.

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publicado às 23:48


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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