Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Completo vou dentro. Penso. Doi-me a cabeça de tanto pensar, uma enxaqueca, uma dor física passada pelo bicho das ideias, um virus, uma doença que o corpo quer matar já.

 

Abaixo da linha do chão vou completo; carne, ossos, ideias.
Penso; as ideias, os ideais e os idiotas repetem-se no tempo (como nas estações do ano), mas o homem não. Preciso de desaparecer (eu e todos) para que o resto do universo possa avançar. Sou a esperança em novo e um empecilho em velho. Ou serves ou não serves (não sirvo). Ou fazes tu ou faço eu, pois não mereces o meu esforço já.

 

Sou um empecilho e apenas os meus ossos servem para calcar o chão. Não posso ser outro nem me repetir (apenas as minhas asneiras, mas o que é isso?), e os outros que esperam impacientes para vir não me suportam a não ser morto.

 

O mundo é uma cebola que faz chorar ao contrário, acrescenta-se a próxima camada que comprime as outras que ficam abaixo. Chora-se um pouco. A nova camada cresce e promete, viçosa, chora-se lágrimas de alegria (as outras sim e não)

 

Quando acaba isto?

 

 

(Não Levo Saudades)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:17

Números de hoje: O «estado» vai gastar 79biliões em 2012, vai «arrecadar» de impostos 72B, isto tudo num país que vai ter um PIB estimado de 159,7B. 

 

O «estado» vai «sugar» quase metade da riqueza do país para sustentar a sua existência e, não sendo suficiente, vai ter ainda de pedir emprestado mais 7B.  

 

Tornámo-nos, finalmente, num estado leninista. Vivemos debaixo de uma ditadura que se entretém com planos quase-quinquenais. Cumpriremos, finalmente a constituição, para "...abrir caminho para uma sociedade socialista..."

 

A República sempre foi uma farsa, a nossa democracia sempre foi uma farsa, a economia de mercado em Portugal sempre foi uma farsa. Desde sempre o mesmo padrão: Na monarquia, na Primeira República, no Estado Novo, na democracia pós 25 Abril.

 

Sempre o mesmo padrão: uma autoridade central que detém o poder político e a maior parte do poder económico, uma corte que adula esse poder e do qual retira privilégios, um resto que se amanha e conforma; Isto nunca foi liberdade.

 

A verdade é esta: somos um povo pobre de recursos e espírito. Acomodamo-nos com pouco. Preferimos o peixe oferecido, mesmo que já rançoso, do que ter de pescar peixe fresco. Vivemos monos sobre os escombros de dois séculos fantásticos que acabaram quinhentos anos atrás.

 

Chamamos democracia, liberdade e economia de mercado a tudo isto que temos, mas é tudo uma farsa, são apenas palavras nobres inventadas para nos enganar. É impossível ser-se livre quando mais de metade do meu esforço não me pertence. É impossível ser-se empreendedor quando a economia está nas mãos de um. É impossível ser-se democrata quando a democracia não existe entre nós.

 

Ou adulo ou luto.

 

Lutemos, então.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:19

...

 

Decidimos que estava na hora de ir a Idanha-a-Nova, eu e Vitória.

Prefiro que me tenham raiva a que me chorem, fujo das pessoas para não lhes fazer mal. Quis desencostar a faca ferrugenta do pescoço mas tremia-me a mão, suava farto como em agosto, tremia todo como numa luta corpo-a-corpo nas Ardenas, numa trincheira onde flutuam fezes na água castanha das poças feitas à força de botas enterradas na lama. Olho para cima (olhamos os dois para cima, para o céu) e vemos nuvens cinzentas, pardas, lentas, tranquilas, esquecemo-nos que nos matamos um ao outro. Cai um trovão, lembro-me. Tremo cada vez mais, enquanto ela parou já de tremer e espera agora quieta sem saber se o universo vai mudar de direcção (tenho os dentes cerrados), Quem és tu, então?


(Não Levo Saudades)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:55

Como apanhar um mentiroso...

por P. Barbosa, em 14.10.11

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:57

Olho-me antigo. Tenho ou cinco ou seis anos na fotografia a preto e branco que seguro, estou muito sério, camisa escura de lã espessa apertada até ao pescoço, bata branca como num cientista sério, com um livro de colorir na minha frente.

 

Esforço-me dentro, procuro recordar-me, procuro encontrar em algum recanto daquela imagem uma memória do que sou e do que já fui; uma ponte que atravesse o tempo por mim. Olho-o como um estranho sabendo que sou eu.

 

Apenas o estojo branco decorado a banda desenhada mexe comigo dentro. Lembro-me vagamente dele, de lhe tocar no plástico mole e do seu cheiro a petróleo, do som e da vibração do fecho quando o abria e fechava, de sentir os lápis de colorir arrumados e empilhados, de os tirar e pôr. Sinto algo movimentar-se cá dentro mas que nunca saberei nomear.

 

Desapego-me da fotografia e poiso a moldura (caixão alegre de uma memória) na borda da lareira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:46

Jeff Dunham and Achmed the Dead Terrorist - Spark Of Insanity


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:01


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

Disponível em
iBooks, Google Play, Kobo, Kindle











Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D


Mais sobre mim

foto do autor