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Conselho de Amigo #3

por P. Barbosa, em 30.11.11

A solidão é o risco

 

de sermos confrontados

 

com a verdade


(não feches os olhos, ou entretém-te com alguém)

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publicado às 19:36

Prometo Que Não Me Mato Até Lá

por P. Barbosa, em 29.11.11

 

6

 

A médica disse-me que te queres matar. Não disse nada disso, a médica é maluca. Não te queres matar, então. Não. Então e aquilo que fizeste no café é o quê? Não sei… deu-me qualquer coisa, não estava a bater bem da cabeça (esfrego a testa), a médica disse-me que te apresentaste como minha mulher. Não me apresentei nada. Então? Sei lá, alguma confusão... talvez tenha dito isso para que pudesse estar ao pé de ti… sabes como é… apenas a família tem acesso… E tu não és minha família. Pois. Mas quiseste ficar estes dias todos a meu lado. Não todos. Então, foste procurar a tua família? Isso não interessa. Claro que interessa, fizemos esta viagem para os encontrar. Foste ou não foste? Fui. E então, que descobriste? Estão todos mortos. Todos? A minha mãe e os meus irmãos. De que morreram? Não perguntei e não me interessa. Mas conseguiste o que querias (Vitória encolhe os ombros)? Que te fez a tua mãe? Não digo? Porquê? Vergonha, vergonha profunda, e uma réstia de respeito pela mulher que foi minha mãe. E a mulher do café, que te fez ela? Foi cúmplice de tudo aquilo que destruiu a minha vida, e ao mesmo tempo foi mãe da minha neta. Neta, qual neta? Mónica, a rapariga que trabalha no café. Não percebo nada, explica-me. Não posso, tenho vergonha, tenho vergonha de tudo, apesar de já ter passado uma vida inteira, na verdade apetece-me morrer, como tu. Eu não quero morrer, já te disse. E para que queres saber tu da minha vida, quando nada sabes da tua? Andas a percorrer o país inteiro para fugir de ti próprio, é o que é. Achas que é isso que eu faço? Sim, foges de alguma coisa sem saber o que é. Esqueço-me das coisas. Se queres saber mais sobre mim então tens de me prometer que vamos a Lisboa descobrir o que aconteceu contigo. Prometo que não me mato até lá.

 

(Não Levo Saudade)

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publicado às 00:17

Se Não Fazes Tu Faço Eu

por P. Barbosa, em 27.11.11

É trágico que cheguemos ao pináculo da sabedoria nas vésperas da morte. Porém, também é certo que seria insuportável persistir um dia mais que fosse sabendo que mais nada chegará até mim. Saltemos para dentro da barca ou sentiremos a terra desaparecer debaixo dos nossos pés. Se não fazes tu faço eu.

 

(Não Levo Saudade)

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publicado às 11:23

Ela Não É Minha Mulher

por P. Barbosa, em 26.11.11

5

 

O que aconteceu? Estás aqui há cinco dias (Vitória sorri). Não, o que aconteceu entre ti as outras duas mulheres? Por que discutiam…?

 

As paredes são brancas, o tecto é branco, os móveis são brancos, a cama e os lençóis são brancos, a médica que se aproxima traz uma bata branca. Por natureza (natureza), a morte é sempre representada pela ausência de cor, de luz, e o que é puro é sempre representado pela luz toda, arco-íris somado nas finas linhas de luz-seda (tão belas) que flutuam como uma sereia na minha frente. Entre os extremos fica a vida (só ela existe), e assim o hospital é uma promessa de cura (ilusão).

 

Pedia-lhe que saísse, preciso de falar a sós com o paciente. Vitória acena obediente com a cabeça, lança-me um último olhar, afasta-se enquanto eu esboço um último, Porquê? A médica aproxima-se, olha friamente a ficha médica dependurada na ponta da cama, sorri para mim, um sorriso falso, uma meia Gioconda, diz-me, Escapou por pouco…., ao fim de meia-dúzia de segundos de silêncio respondo, Sim. Ou será que devo dizer que falhou por pouco? Olhei a médica em silêncio até ela desviar o olhar. Daqui a alguns dias terá alta, mas quero que procure apoio psicológico, vou-lhe marcar uma consulta com um especialista. Não sou maluco. Não disse que era maluco, mas é evidente o que tentou fazer a si próprio. E? E, o quê? Não sou maluco… ninguém me perguntou se queria nascer, para que se preocupam as pessoas se quero morrer? Há quem diga que a vida é preciosa, que a devemos proteger. Mas também pode ser esmagadora. Esmagadora? Sim, faz-nos, e depois esmaga-nos. Não faz por maldade. Pouco me importa a maldade. Não acredita nela? Não me importa, já disse. Promete-me que vai à consulta com o psicólogo? Prometo que me mato. Por que quer morrer? É preciso uma razão? Não é preciso uma razão? Só se for obediente. Obediente? Sim. Obediente com o quê? Isso não interessa… mania das pessoas quererem ver sempre a origem, o centro, uma figura, algo que ocupe um espaço. Não o entendo. Obediente apenas, porra… pode dar-me alta? Ainda não. Quando, então? Já lhe disse, daqui a uns dias, dependendo da evolução desse corte, quero ver se tudo sara como deve ser, não quero que tenha uma hemorragia interna. Acha que não há suficientes facas no mundo? Para quê? Para me matar, o que é que havia de ser. Deixe-se dessas conversas, fale com a sua mulher e explique-se, precisa de lhe dar uma explicação. Ela não é minha mulher. Não foi o que ela disse.

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publicado às 17:24

Apenas Os Vivos Sangram

por P. Barbosa, em 25.11.11

Apenas os vivos sangram. Foi com essa evidência que retornei àquela sala, as três mulheres de olhos esbugalhados na minha direcção enquanto eu procurava serrar o meu braço com a faca do pão.

Deixei de ser pequeno, o nevoeiro diluiu-se e as palavras agora são apenas palavras. Digo, em voz alta, enquanto a fraqueza toma conta de mim, Apenas os vivos sangram… Desfaleço, embato com violência na linha ténue da Terra que tão firmemente separa o estado do homem, o hoje do amanhã, terei de sangrar tudo o que tenho para sangrar antes de merecer juntar-me a uns enquanto outros aguardam impacientes que vague o meu lugar.

Tenho a face dorida encostada ao chão frio de um café de Idanha-a-Nova, vejo três vultos femininos (talvez preocupados, talvez incomodados) que se aproximam, uma delas agacha-se (não sei quem é), olha-me, olha-me, faz-me uma carícia no cabelo.

...

(Não Levo Saudade)

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publicado às 23:46

Devias Ter Tido Filhos Meus

por P. Barbosa, em 22.11.11

...

 

4

 

Por vezes o universo muda de lugar e esquece-se de nos avisar. Olhamos o chão e descobrimos que já lá não está. Avançamos a toda a velocidade em direcção ao muro de betão e não temos maneira de travar. O mundo sabe desviar-se, desvia-se, nós não. Não se ri das artimanhas que nos monta a espaços, somos nada, mas sabemos sofrer. Olhamos incrédulos o pesadelo que entra pela porta de um café de Idanha-a-Nova e achamos que sonhamos. Abanamos a cabeça e dizemos a palavra, Não. Dizemo-la, mas ela é real e logo volta pelas orelhas para nos fazer estremecer os ossos, Não, diz novamente, é um sonho, mas a palavra entra e sai do mundo para nos dizer, Vês, fui e voltei, existo, estou aqui, e por isso tudo isto é a verdade. Sofre.

Sofre a velha de negro, um sofrimento que não merece piedade. Olho a velha, incrédula ela, sentada numa mesa do café, aproximo-me, vejo-a como um monte de ossos. Tem a mão na testa, osso contra osso ouço um som oco. A seu lado, uma sombra negra que espera, murmura-lhe, Ou fazes tu ou faço eu.

Por momentos penso que a velha me reconhece e recorda o mal que me fez, que se envergonha do dinheiro que me deve, mas à medida que nos aproximamos reparo que a velha não tem os olhos aflitos postos em mim, mas em Vitória. Tomo o facto como um caso extremo de estrabismo. Levanto o dedo, o que indica, o que segura na ponta a determinação que vem de dentro. O indicador dependurado no ar é uma lâmina imaginária. Cobiço a faca do pão poisada na mesa do lado, mas ainda não chego lá. Travo Vitória com a mão esquerda, com a direita aponto o indicador à velha estrábica, ameaço-a, Venho reclamar o dinheiro que me deve! Ela olha-me de volta (ou será que, estrábica, olha agora para Vitória?), quase que elabora um pequeno gozo, levanta-se, Tu por aqui, que me queres? O meu dinheiro… o dinheiro que me deve por uma vida inteira de trabalho! Qual vida de trabalho, palhaço? …Palhaço!

A terra mastiga-nos e depois cospe-nos fora. Valemos nada, e apenas os nossos ossos servem para calcar a lama. Fiquei sem palavras, com o indicador perdido no ar apontado para «ali». Palhaço!, repetiu a velha, e agora já se via a saliva, o veneno, Palhaço!, agora mais alto e com desprezo, directamente nos meus olhos, o estrabismo já havia desaparecido, dei dois passos atrás mas ela não se deteve, deu dois passos na minha direcção, Palhaço, repetiu, agora sim, dava-lhe gozo.

 

Os fracos ganham força trucidando fracos, eis uma verdade banal e trágica. Sempre foi mais fácil roubar que construir. A derrota ilumina o derrotado, a vitória ilumina a semente do homem (tantas verdades banais, banais). A velha achou que assim ganharia forças para travar a guerra que se preparava. Olhou para baixo, o chão tinha desaparecido e o muro de betão aproximava-se a toda a velocidade. Dei dois passos atrás e encolhi por dentro.

Encolhi.

Fora de mim agora só vejo uma névoa e as palavras são um zumbido indiscernível. Encolho para um centro pequeno, ao longe vejo os contornos internos da pele translúcida do balão que sou por fora (por dentro). Entre mim e esse balão voam corvos negros com os olhos postos em mim, e sombras negras que flutuam de foice em punho e que murmuram, Ou fazes tu ou faço eu. Uma das sombras aproxima-se, tira um caderninho preto do bolso e lê para mim:

Devias ter tido filhos meus. Devia ter voltado e ter-te procurado uma vez mais, e outra, e outra mais ainda, depois de na primeira e última vez me teres afastado de cima de ti. É um arrependimento que me custou uma vida; a que tenho.

Disse, Não. Não, tiro do bolso o meu livrinho preto já negro como eu dentro, folheio-o com mestria como se fosse um baralho de cartas. Travo o andamento no lugar preciso onde acabam as palavras e se inicia a folha branca. Abro o caderninho, abro-o, e o gesto pareceu repetir-se infinitas vezes, como se não se quisesse consumar.

 

Dizia:

Devias ter tido filhos meus…

Devias ter tido filhos meus…

Devias ter tido filhos meus…

Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres...

Nunca descobri. Olho através da pele translúcida do balão que sou por dentro (por fora) e vejo a velha exaltada discutindo com Vitória. A emoção tem um andamento, como uma partitura. A emoção é linguagem com gramática e ortografia. A velha é obediente, segue o caminho de cinza já traçado por uma infinidade de gente (olho o caminho de cinza, assusto-me com as bermas), sente, pois, submissa, primeiro o espanto, depois a dúvida, depois o medo (Não), depois a raiva, depois o ódio, por fim a vergonha. Vitória grita com ela (não sei o que grita ela), aproxima-se da velha, juro que lhe vi o olhar cobiçar a faca do pão, aponta-lhe o indicador ao coração, depois ao meio dos olhos, agarra-lhe o braço e a velha repele-a, ameaça-lhe um estalo de volta, a velha grita alto agora, sinto o som estridente, apercebo-me de algumas palavras, Vaca, Puta, Cabra, Vitória agarra-a com os dois braços e tenta tombá-la ao chão. Aproxima-se um vulto esguio e jovem e as duas mulheres imobilizam-se momentaneamente.

...

 

(Não Levo Saudade)

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publicado às 22:48

Vê se descobres, conselho de amigo #2

por P. Barbosa, em 17.11.11

Cada palavra é preciosa.

A verdade tem uma direcção mas não

um destino.

 

Tudo o que eu digo é mentira,

vê se descobres.

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publicado às 23:23

Conselho de amigo #1

por P. Barbosa, em 16.11.11

 

 

Se ficas dócil, logo ganhas um

dono

 
(tal como o gado)

 

 

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publicado às 00:53

...

 

A terra mastiga-nos e depois cospe-nos fora. Servimos para nada, e apenas os nossos ossos servem para calcar a lama. Fiquei sem palavras, com o indicador perdido no ar apontado para «ali». Palhaço!, repetiu a velha, e agora já se via a saliva, o veneno, Palhaço!, agora mais alto e com desprezo, directamente nos meus olhos, o estrabismo já havia desaparecido, dei dois passos atrás mas ela não se deteve, deu dois passos na minha direcção, Palhaço, repetiu, agora sim, dava-lhe gozo. 

 Os fracos ganham força trucidando fracos, eis uma verdade banal e trágica. Sempre é mais fácil roubar que construir. A derrota ilumina o derrotado, a vitória ilumina a natureza do homem. A velha achava que assim ganharia força para a guerra que se preparava para travar. Olhou para baixo, o chão tinha desaparecido e o muro de betão aproximava-se a toda a velocidade. 
Dei dois passos atrás e encolhi por dentro. Fora de mim agora só vejo uma névoa, e as palavras são um zumbido indiscernível. Encolho para um centro pequeno, ao longe vejo os contornos internos da pele translúcida do balão que sou por fora. Entre mim e esse balão voam corvos negros com os olhos postos em mim, e sombras negras que flutuam de foice em punho e que murmuram, Ou fazes tu ou faço eu. Um deles aproxima-se, tira um caderninho preto do bolso e lê para mim:

Devias ter tido filhos meus. Devia ter voltado e ter-te procurado uma vez mais, e outra, e outra mais, depois de na primeira e última vez me teres afastado de cima de ti. É um arrependimento que me custou uma vida; a que tenho.

 

(Não Levo Saudades) 

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publicado às 11:39

...

Por vezes o mundo muda de direcção sem avisar. Olhamos o chão e descobrimos que já lá não está. Avançamos a toda a velocidade em direcção ao muro de betão e não temos maneira de travar. O mundo sabe desviar-se, desvia-se, nós não. Não se ri das artimanhas que nos monta a espaços, somos nada, mas sabemos sofrer. Olhamos incrédulos o pesadelo que entra pela porta de um café de Idanha-a-Nova e achamos que sonhamos. Abanamos a cabeça e dizemos a palavra, Não. Dizemo-la, mas ela é real e logo volta pelas orelhas para nos fazer estremecer os ossos, Não, diz novamente, é um sonho, mas a palavra entra e sai do mundo para nos dizer, Vês, fui e voltei, existo, estou aqui, e por isso tudo isto é a verdade. Sofre. 

Sofre a velha de negro, um sofrimento que não merece piedade. Olho a velha, incrédula ela, sentada numa mesa do café, aproximo-me, vejo-a como um monte de ossos. Tem a mão na testa, osso contra osso ouço um som oco. A seu lado, uma sombra negra que espera, murmura-lhe, Ou fazes tu ou faço eu.

Por momentos penso que a velha me reconhece e recorda o mal que me fez, que se envergonha do dinheiro que me deve, mas à medida que nos aproximamos reparo que a velha não tem os olhos aflitos postos em mim, mas em Vitória. Tomo o facto como um caso extremo de estrabismo. Levanto o dedo, o que indica, o que segura na ponta a determinação que vem de dentro. O indicador dependurado no ar é uma lâmina imaginária. Olho a faca do pão poisada na mesa, mas ainda não chego lá. Travo Vitória com a mão esquerda, com a direita aponto o indicador à velha estrábica, ameaço-a, Venho reclamar o dinheiro que me deve! Ela olha para mim (ou será que, estrábica, olha agora para Vitória?), quase que elabora um pequeno gozo, levanta-se, Tu por aqui, que me queres? O meu dinheiro… o dinheiro que me deve por uma vida inteira de trabalho! Qual vida de trabalho, palhaço? …Palhaço!

 

(Não Levo Saudades) 

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publicado às 06:52

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Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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