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publicado às 00:31

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publicado às 23:33

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publicado às 00:04

Vislumbro Uma Ideia de Felicidade

por P. Barbosa, em 14.03.12

 

 

O Mundo passa por mim.
Passa à velocidade de um comboio que me transporta; para um destino.

  

O mundo passa por eles, pelos outros, indiferentes. 
Viro o olhar. Do outro lado.
Duas filas mais à frente. 

A rapariga jovem da cara sarapintada vive a felicidade dos dias novos, sorri e abraça-se ao namorado indiferente.
Sorri, aconchega-se, adormece.

Escrevo; escrevo para não me esquecer.
Vislumbro uma ideia de felicidade, quando olho para a rapariga jovem que se reconforta, que se aconchega.
Vislumbro uma felicidade nova e antiga, que já passou, que nunca tive, maior do que eu;
sempre foi maior do que eu.

A verdade. A realidade; novamente.
Volto para mim, volto para detrás dos meus olhos;
volto para de onde nunca saí

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publicado às 22:58

Sofremos por partes, mas a felicidade é sempre um todo. Dói-me o braço ou a alma
                 [mas nunca fui feliz de uma perna]

Somado, a felicidade é-me equívoco, estatística pequena no universo largo das possibilidades. Dividido, o sofrimento multiplica-se germe
                 [soma descendência pelas três dimensões]

Sobra-me a fuga em frente, incerto se devo sonhar alcançar a primeira
                 [ou sonhar fugir da última]

O todo desmorona-se, sempre. Corro, enfim, cobarde
                 [satisfaço-me com permanecer ao meio]

(Tentativa)

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publicado às 19:10

Sabes, gostava poder olhar-te e sentir que não estou frente a um espelho.

 

Temos a espessura de um vidro vulgar banhado a prata falsificada. Toco-te para saber se és real, e és. Olho-te para além do reflexo que és, e és nada.

Escondo-me no medo de encontrar essa sobra a cores que representas. Vejo-te repetir aquilo que já fiz; adivinho naquilo que fazes as coisas que um dia farei.

Prefiro não ver.

Temos a espessura de um vidro vulgar banhado a prata.

 

A bondade é uma artimanha da iniquidade. A bondade é o conforto do nosso desconforto, e nada mais.

 

A moeda que retiras do bolso tem o tamanho do incómodo que acertou nos teus olhos.

Olhamos a miséria ao nosso lado e incomodamo-nos. Olhamos a miséria ao fundo da rua e incomodamo-nos menos. Olhamos a miséria no horizonte e lançamos um suspiro.

Para lá do horizonte não sofre nem morre ninguém (acredita).

A bondade tem a espessura de um vidro vulgar banhado a prata falsificada.

 

A miséria é esperta.

 

A miséria sabe que jamais terá direito à comida que engorda o porco que se olha ao espelho enquanto palita os dentes.

A miséria sabe que o peso da moeda de oferta tem o tamanho do incómodo colocado em frente ao espelho banhado a prata falsificada.

A miséria quer ser miséria.

A bondade quer ser bondade.

A miséria não quer morrer, desaparecer.

A bondade não quer morrer, desaparecer.

 

Temos a espessura de um vidro vulgar banhado a prata falsificada.

 

Preferimos não ver; e não vemos.

Palitamos os dentes e gastamos o tempo olhando a imagem reflectida no espelho (vejo-te).

Não sabemos que temos a espessura de um vidro. Não sabemos que não vemos. Não Sabemos.

 

A bondade e a miséria sorriem; sorriem.

 

http://pt.scribd.com/doc/36482146/Temos-a-Espessura-de-Um-Vidro-Vulgar-Banhado-a-Prata-Falsificada

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publicado às 11:02

Erva & Luz, Pedra

por P. Barbosa, em 02.03.12

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publicado às 15:02

Adormeci. Acordei. Esqueci-me de comer o jantar oferecido pela bondade. Adormeci. Acordei. Era de dia e estava parado no passeio. Adormeci. Acordei. Estava deitado e era escuro como breu. Caía uma chuva miudinha que encharcou a minha casa de cartão. Levantei-me e fui urinar junto a uma árvore.

Adormeci. Acordei. Estava a comer um guisado de vitela quente perfumada com hortelã, como há muito não me lembro de saborear. O meu velho companheiro dizia-me que tínhamos de aproveitar estes momentos em que a delícia do estômago e da língua é a nossa própria delícia. Adormeci. Acordei. Estava no meio da estrada e os carros buzinavam à minha volta. Uma senhora ao meu lado mulher abriu o vidro do carro e perguntou-me, não sei porquê, Está bem?

 Adormeci. Acordei. Estava em frente a uma campa, e o meu velho amigo a meu lado perguntando-me, Era isto que procuravas? São estas as palavras de que me falaste? Palavras?, olhei; Não levo saudade Adormeci. Acordei. Estava a dar o noticiário na televisão da montra de electrodomésticos. 

Adormeci. Acordei. Doía-me o corpo, era escuro, estava num beco que não reconhecia, e um grupo de jovens ria-se muito. De mim. Acharam que eu era parvo. Tenho a certeza de que me acharam parvo. Adormeci. Acordei. Olhei para o lado e o meu velho amigo chorava silenciosamente. Disse-lhe, Não achas que o tempo está a passar depressa demais?

Adormeci. Acordei. Vi o sol dependurado no céu. Adormeci. Acordei. Está bem?, disse-me alguém. Adormeci. Sonhei com o meu pai e com a minha mãe.

Acordei. Estava deitado num lugar luminoso, mas em vez do amarelo do sol caía em mim uma luz branca vinda de todos os lados. Não se mexa, disse-me alguém. Está no Hospital de Santa Maria. Estamos a cuidar de si. Não se mexa. Como se chama? Virei o olhar e vi uma cara angélica de bata branca, auscultando o meu interior com um estetoscópio. Aí não há nada, disse-lhe, enquanto ela procurava medir o meu coração. Enrugou a testa. Parou de me auscultar e olhou-me novamente. Como se chama? Lembra-se? Meti a mão ao bolso, trémulo, e tirei um velho lenço sujo com as iniciais M.L. Chamo-me Manuel, o L já não sei o que significa. Não sei o dia certo em que faço anos. Não me lembro já quem é o meu pai e quem foi a minha mãe. Sei que sempre vivi em Benfica. Tenho um amigo chamado António que dorme comigo junto às Portas de Benfica, eu num caixote de cartão de um frigorífico, ele no caixote de cartão de uma arca frigorífica.

 

(Não Levo Saudade) 

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publicado às 22:59


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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