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Democracia Camionista

por P. Barbosa, em 15.03.11

Este protesto dos camionistas é sintomático. Entendia-o se fosse dos taxistas ou de outra actividade que tivesse preço tabelado. Mas o negócio dos transportadores é livre, o preço é livre, e se estes acham que os custos de actividade subiram para além do razoável, então é normal que o preço do serviço suba. Aumentem o preço!

 

Mas não têm coragem. Perferem pedir ao papá que lhes resolva o problema... com subsídios, como sempre. Não estou a defender este governo (muito longe disso), ou as políticas (esse é outro problema), estou a criticar a atitude rasca que tão frequentemente se vê na TV.

 

Vão para a rua, exercer o seu direito democrático ao protesto e à greve, montando piquetes e obrigando os camionistas, que exercem o seu direito democrático de não aderir ao protesto, a parar. Pedras e tiros de caçadeira para aqueles que estão a atrapalhar. A democracia é tramada. A democracia dá trabalho.

 

O problema deste país é este: Somos camionistas, em luta (que mais sabemos fazer?), a atirar pedras democráticas àqueles que nos atrapalham a cobardia.  

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publicado às 20:15


4 comentários

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De numero_par a 15.03.2011 às 20:58

"Camionistas em luta", Homens da luta,...

Somos tudo menos criativos, empreendedores, dinâmicos e adequadamente participativos.
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De P. Barbosa a 15.03.2011 às 22:12

O trabalho que dá só de pensar nisso...
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De Anónimo a 18.03.2011 às 23:20

Por falar em democracia reproduzo aqui o meu comentário, feito há uns minutos, noutro blog a propósito de outro assunto. Ai vai o copy&paste
- « ... há uns 3 anos li na primeira pág. de um diário em grande parangona que o atraso português se devia às baixas qualificações dos portugueses. Pouco tempo depois, no suplemento económico de um jornal, que já não posso precisar, nas páginas interiores num cantinho da pág. leio que estudo de organismo estrangeiro, que tb não lembro, concluíra que o atraso português se devia à pouca qualidade das elites económicas. No Verão de 2010 leio nos jornais a posição de Portugal numa lista de países da OCDE onde era maior a diferença entre os 10%, (ou 20% ? - não lembro exactamente), mais ricos e os 10% mais pobres e Portugal era o 2º mais desigual entre a Turquia e o México. Não lembro já qual era o 1º. Também li mais ou menos pela mesma altura, num jornal, a posição das Universidades portuguesas no " ranking de eficiência " de Universidades da UE e Portugal também constava, neste caso, em penúltimo. Creio que entre a Bulgária e a Eslovénia ou Eslováquia. Também não lembro exactamente. E noto que estas notícias estavam em pequenos quadradinhos nas páginas interiores o que contrasta com a 1ª página e título principal dando conta das poucas competências dos portugueses. Ou seja que a imprensa portuguesa, quando se trata de iluminar as falhas dos portugueses pobres usa holofote e quando se trata de falar das falhas das elites usa uma velinha de aniversário. »
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De P. Barbosa a 18.03.2011 às 23:39

Eu não consigo dividir o mundo entre elites e miseráveis. Para mim, as elites são miseráveis que tiveram um pouquinho mais de sorte, e os miseráveis lutam por ser uma elite. Não sou especialista no assunto, mas a minha observação amadora diz-me que a principal desigualdade entre pobres e ricos nasce, principalmente, da desigualdade de formação entre os portugueses.

A democracia pode ter muitos defeitos, mas dá-nos liberdade (e a tão esquecida responsabilidade), educação grátis, e uma justiça mais ou menos justa. Num país livre e democrático, e com um sistema de protecção social forte (como o nosso) é impossível haver grandes desigualdades a não ser que haja grandes desigualdades nas capacidades das pessoas. Somos todos muito parecidos, e num sistema livre a riqueza automaticamente equilibra-se.

9% da nossa população não sabe ler ou escrever ou é iletrado funcional. 9%! É impossível de não haver desigualdade numa situação destas. Arrisco mesmo dizer que a desigualdade, nesta situação, é justa. E a formação e a educação (que é essencialmente gratuita neste país) é da responsabilidade individual de cada um de nós ou dos pais que devem assegurar que os filhos adquirem as competências necessárias. Não é o estado que é responsável.

A liberdade exige responsabilidade e dá muito trabalho. Ai dá, dá.

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