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Vejo claramente isto tudo e faço nada

por P. Barbosa, em 25.03.11

...

Escrevo as ideias no caderninho que comprei com a moeda que roubei do meu pai, mas nunca sei se, por uma vez que seja, são verdadeiras. Escrevo para não me esquecer. Escrevo para acreditar. Gosto de pensar que posso trocar de corpo e lugar com alguém que possa chamar de irmão, mas ao mesmo tempo também não me é possível deixar de pensar que as ideias foram escritas por uma outra razão.

 

Talvez seja apenas pelo prazer de ver surgir letras pretas sobre a folha branca, e que essa é razão bastante para as ideias que têm de sair, estas ou outras quaisquer. Talvez me empenhe para poder ouvir o rabiscar do bico da caneta contra a folha pautada do caderno. Talvez ache que a ideia é minha, simplesmente porque as palavras se lembraram de aparecer na cabeça, e que tenha de as escrever para delas não me esquecer. Talvez seja apenas inspiração que obtive da leitura que fiz hoje de manhã, ou da paisagem que contemplei, ou da ideia que faço das pessoas que vão ler estas palavras.

 

Que importa? Ao contrário do homem, as ideias não têm dono, são livres e guerreiam-se no campo de batalha que somos por dentro. Lama; é o que somos. Vento, Chuva, Tempo; é o que somos. E esta ideia, e outras que lhe são companheiras, percorrem as clareiras da floresta que sou por dentro, receando que ideias inimigas façam pontaria às suas costas que são tão nítidas a partir da orla da floresta.

 

Achamos que vivemos no mundo quando é o mundo que vive em nós. Vejo claramente isto tudo e faço nada. Daqui a pouco esquecer-me-ei. Daqui a pouco tomo o comprimido na boca e a Terra dá mais uma volta na mentira que não quer ir embora.

Bragança.

 

 

(Não Levo Saudades)

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publicado às 22:08



Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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