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O Quarto Branco

por P. Barbosa, em 18.08.13

O Quarto Branco

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publicado às 11:52

E o ar, não pode faltar o ar...

por P. Barbosa, em 29.04.13

Porquê?
Havendo ideologias e idiotas, havendo comida para comer.
O ódio e o amor também,
E o ar, não pode faltar o ar,
E não nos esqueçamos daquele momento que não sabemos lembrar,
Daquele, quando o coração acabou de dar o batimento,
E fica ali, pendurado, a matutar,
Se vai em frente ou se resolve parar.
Um momento; 
Tenho de olhar.

 

1, 2, 3

Diga lá, como fez?

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publicado às 18:39

Crónica da Morte de um Pai

por P. Barbosa, em 26.04.13

Crónica da Morte de um Pai

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publicado às 18:02

Um Navio É Sempre Um Objecto Improvável

por P. Barbosa, em 24.04.13

Um navio é sempre um objecto improvável; aço que não se resigna a ir ao fundo, montanha improvável flutuando no ar. O mar solto balança o navio de um lado para o outro. Gotas de água que nada podem enquanto se desfazem suicidas contra o casco. Corroem. Dão coices de lado. Cospem-nos sal para cima. Conjuram vento e chuva para nos levar ao fundo.

 

Resignamo-nos a não pensar.

 

Estou no convés. Estou aqui, fez agora duas semanas. Balanço para cima e para baixo. Balanço com o balanço do navio. Balanço com o balanço do navio que balança nas ondas. Não me resigno a ir ao fundo.

 

O mar não tem chão. Tem, lá no fundo que mata; o mar não tem chão. É um ser vivo revolto, inquieto. Bicho virulento que nos puxa para dentro se lhe tocarmos nas mãos líquidas que devoram. Se cair, só saberei nadar durante um tempo. Depois, faltar-me-ão as forças ou a vontade, tanto importa, e desaprenderei de nadar. E se por milagre boiar, o mar líquido encarregar-se-á de convocar criaturas marinhas desejosas de me desmembrar e engolir.

 

Porquê a poesia? Será poesia?

 

Ontem atirámos um homem ao mar. Vivo. Assim, sem mais nem menos.

 

O navio é o mundo. O mar, o resto do universo escuro e medonho onde não sabemos voar. O convés é um continente. A camarata outro. A messe

outro. A ponte de comando outro. É lá que vive o ditador. O navio é o mundo e não existe mundo para além dele. Durante o mês e meio de viagem através do Pacífico, se o vento ajudar, o meu mundo é plano e tem um abismo onde podemos cair. Flutuamos sobre um buraco negro que nos engole se não tivermos cuidado; se quisermos.

 

As regras da física não se aplicam. As regras do homem não se aplicam. Habito um mundo com meia dúzia de metros quadrados que obedece à vontade de um homem louco, que decide atirar homens fora, para o buraco negro, se assim desejar. É desta maneira que o monstro ganha força; o comandante e o mar.

 

Porquê a poesia? Não será antes medo?

 

É a minha primeira vez, e depois do que fiz tenho a certeza de que será a última. A viagem tem um tempo. O Pacífico tem um comprimento. O mundo tem um tamanho logo devorado assim que se avista terra firme. Antes de lá chegarmos o comandante há-de atirar-me borda fora.

 

Ele não me vai perdoar.

 

Ficarei sozinho a flutuar em nada, no silêncio do mar. Hei-de ver o navio encolher e desaparecer no horizonte. O mundo há-de morrer. Sentirei, finalmente, a água. Sentirei o bicho que se prepara para me devorar. Mas vai demorar. E se me acobardar, se fingir desfalecer, se desistir sem sofrer, então o mar trará os monstros de dentes afiados que virão, primeiro, docemente lembrar-me da sua presença, depois, roçar-se educadamente de boca aberta, e for fim experimentar o sabor da minha carne, mas sem matar, primeiro sem matar. Só quando não houver mais medo para sentir é que o golpe final será desferido. Foi assim o pesadelo sonhado. Sempre tive medo do mar fundo. Que estou aqui a fazer?

 

Morrer?

 

Aguardo pelo instante em que o comandante há-de enlouquecer? Surpreendo-os saltando no abismo? Tenho menos de um mês e não sei quanto tempo tenho.

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publicado às 23:51

Fuc**** Nuts (video)

por P. Barbosa, em 18.04.13

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publicado às 12:31

Vamos dar todos uma salva de palmas

por P. Barbosa, em 14.04.13

Bem-vindo, Sol!

 

Está na altura de por o pézinho na água, de sentir o calor sobre o frio, de espreguissar o encolhimento, de abrir a janela e deixar sair.

 

 

 

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publicado às 09:31

Qualquer Dia Escolho Um Rumo

por P. Barbosa, em 09.04.13

(...)

 

Qualquer dia escolho um rumo. Antes, quando o meu pai ainda não tinha partido nessa viagem pela galáxia fora, dizia-me, com uma repreensão compreensiva (com um tom de voz que misturava frustração e amor), que devia arranjar uma profissão e uma mulher. Prestava muita atenção às palavras dele, pois sempre as escolheu com a precisão de um relojoeiro suíço. Recordava-me frequentemente que compensava a escassez de palavras com a certeza do que dizia. 

 

Nunca quis ser o que quer que fosse. Ou então sempre tive medo de ser alguma coisa, fosse o que fosse. Sempre achei os caminhos demasiado estreitos (por serem caminhos). Têm bermas fundas que me assustam como o mais alto dos precipícios. Têm encostas íngremes e vias de um só sentido. Sempre preferi os campos abertos. Preciso de espaço, prefiro a ideia de poder olhar em volta e só ter a linha do horizonte como limite para os meus sonhos.

 

(...)

 

Não Levo Saudade 

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publicado às 17:58

Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres...

 

Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

 

(Não Levo Saudade)

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publicado às 14:39


Mars Gigapixel Panorama - Curiosity rover: Martian solar days 136-149 in Out of this World

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publicado às 18:55

O Vazio Que Sobra

por P. Barbosa, em 24.03.13

Não sou a vontade de comer e que alimenta o meu corpo. Mexo as mãos e abro a boca por ordem interior. Sinto o doce sabor da comida como recompensa pela obediência, ou a fome agonizante como castigo, tal e qual como quem treina um cão.

 

Não sou a vontade do sexo, nem do seu sucedâneo engano chamado amor, que procura apenas a necessidade prática da multiplicação. O dealer que vive comigo oferece-me gratuitamente as primeiras doses de heroína antes de me usar o resto da vida.

 

Não sou a vontade de viver, necessidade material e objectiva do meu corpo e que, por ignorância e cobardia, assumo também como minha.

 

Não sou a vontade de morrer, vontade que sobressai quando todas as outras desistem de querer.

 

Não sou o meu coração que se movimenta por simples instrução.

 

Não sou os meus membros pés e mãos, que me levam por este mundo e que obedecem apenas às vontades que os controlam.

 

Não sou a vontade de ficar velho, vontade essa maior que qualquer homem, vontade de um universo, de uma natureza maior que não é possível ser compreendida, apenas sentida.

 

Não sou a boca que fala, não sou as palavras que de lá saem, e que são apenas as representações materiais das vontades que vivem cá dentro, mas que não são minhas.

 

Sou o vazio que sobra disto tudo, o ponto equidistante entre vontade, palavra e corpo. Sou a simples intersecção imaterial das linhas invisíveis que os ligam, o centro de gravidade que olha e vê estas coisas à sua volta e, se tiver sorte julga-as por suas, se tiver azar compreende a verdade e se angustia, sem saber afinal o que é e para que serve.

 

Sou um vazio que sabe que é vazio, mas que não é nada.

 

Fecho os olhos e finjo? Abro os olhos e sofro?

 

Será isto uma alma? 

 

Quem sou eu?

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publicado às 17:45


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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