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publicado às 16:44

Ideologias e Idiotas

por P. Barbosa, em 28.12.14

Estão bem umas para os outros.

 

Merecem-se. A ideologia perfeita não tem ideal. Ideal é sinal de fraqueza, prova de que o pensamento necessário não foi completamente executado.

 

Ideologias, teologias, manias; preguiças, conveniências do homem e dos seus ocultos desejos; arranja-lhe os pensamentos, ideias, convencimentos, bulas e mestrados para justificar o que já foi pensado (cospe para o lado).

 

Achamos por bem que sim, que a ideia é boa; boa porque nos convém. Nenhuma ideia desagradável e boa foi ainda inventada, estranha coincidência. Que fazer, então?

 

Os que pensam diferente gritam palavras de ordem e levantam o punho. Erguem barricadas e puxam do gatilho; pensam como toda a gente.

 

E alguns, poucos, apenas encolhem os ombros e seguem em frente: que se atulhem na merda que jorra de um lado e do outro da barricada. Subirei ao topo do monte mais branco e assobiarei para o lado para disfarçar o vento gelado que me queima a pele.

 

Ideologias e idiotas: quem as não tem?

 
 

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publicado às 00:12

PREPARAÇÃO

 

Se és sério, então 

um plano maquiavélico tens de ter.

 

O conselho é bom,

mas quem o dá é suspeito,

pois trás mirra, ouro

e incenso,

e quem dá

não oferece,

apenas espera

retorno

em dobro.

 

O monte relvado 
ao lado do sítio

onde julgo

viver

cresce em altura

três centímetros

a cada ano que passa, 

não por causa de um

qualquer

choque de placas tectónicas,

mas sim da merda ininterrupta 

defecada por donos de cães

ausentes, 

que por ali andam

continuamente

sem um plano

maquiavélico

que os possa orientar,

também.

 

E o verde pontilhado

por excrementos,

apenas assinala os lugares

onde homem e animal, 

ambos

seguros por uma trela,

se cruzam e confundem

num só.

 

O receio

não é o de o homem

se enfiar por um caminho

de urtigas,

mas apenas que esteja

consciente

do que é capaz.

 

Algures, no tempo

futuro,

despedaçaremos os 

nossos sonhos

de agora

com prazer,

pois a imagem

idílica

é sempre mais forte

que a realidade.

 

Cuidamos sempre

bem

das nossas ruínas,

é certo.

 

A mentira e a verdade

são lados opostos

de uma faca.

No gume afiado fica a verdade,

no contra-fio a mentira

(ou o oposto, já não estou certo)

 

Nela,

apenas importa

o uso

que se dá ou não dá

à mão que vacila 

de um lado

para o outro,

alma mecânica

e inquieta

entre o poder maquiavélico

da vontade

e a vontade 

do poder maquiavélico,

como aquele

que agora 

me preparo

para executar.

 

A brincadeira não é semântica,

é séria,

e toca fundo 

e rente

ao lugar entre ser

e desaparecer.

 

Tu escolhes, ou não,

a faca e o pão.

 

Por que precisamos de um plano

maquiavélico?

Em devida altura

tudo ficará

mais saliente.

 

Somos, sem dúvida, 

fotografias 

a preto e branco

de tempos idos, 

os nossos sorrisos

e a alegria incontida

vertidas para molduras

estáticas, passados

longínquos que sempre se parecem

com o presente,

só porque se sente,

ridícula e efémera ilusão,

que os séculos vindouros

confirmarão,

quando inóspitos descendentes

de carne e osso

segurarem 

nas suas mãos,

com um sorriso

e apreensão, 

em fotografias pardas ilustradas 

por molduras cromadas,

o passado, 

o presente, 

o futuro.

 

Dizemos «Não».

A nossa condição

de cautela 

é feroz

e cobarde animal,

pois o que nos aflige, 

sempre,

é o plano maquiavélico 

que nos outros

julgamos existir

(e em nós não).

 

Posso provar tudo o que afirmo,

com o ridículo acrescido de que, 

para isso,

não preciso de dizer nada.

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publicado às 17:44

Opportunity: 10 Years on Mars

por P. Barbosa, em 24.01.14

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publicado às 17:41

«Não Levo Saudade», no Google Play

por P. Barbosa, em 11.11.13

Agora também disponível através do Google Play


Contos:

  • O Quarto Branco
  • Bicho da Pedra
  • Daniela, a Louca

 

Romance:

  • Não Levo Saudade


***

 

Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres...

 

Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.


***

 

 

 

Romance, 270 páginas

Published: Feb. 18, 2013
Words: 45,071 (approximate)
Language: Portuguese
ISBN: 9781301502349

 

eBook disponível no iBooks, Kobo, Scribd, Kindle, Nook, Goole Play , e no SmashWords.

Espero que gostem.


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publicado às 09:54

É um monte de ossos. É um homem inteiro.

por P. Barbosa, em 24.09.13

(...)

 

 

Dizia,

 

Algures, algures em Janeiro de 1986,

 

Tudo isto aconteceu, tudo o resto é imaginação.

 

Vejo um esqueleto, ou um homem (não estou certo de quem faz quem), porque é só ossos, mas também porque se mexe como se estivesse vivo.

Está sentado, escreve. Um candeeiro a azeite alumia a mesa tosca de madeira. Coloca a mão no osso da testa. Osso contra osso, ouve-se um som oco. Está indeciso. Depois, após essa breve pausa que é o pensamento, escreve furiosamente até deter-se novamente. Repete e repete. Ao fim de cinco minutos daquilo noto (nota) que se acabou a folha branca. Abana a cabeça, desapontado. Amarrota a carta (pelo menos penso que é uma carta, de despedida) e recomeça numa folha nova.

Infinito é o pensamento, que nunca se acaba, pois não pode pensar que já não o é mais. Foi assim que ele fechou a sua carta de despedida. Agora só falta decidir-se quanto ao seu início.

Sentado, tudo à sua volta é negro, apenas a luz do candeeiro a azeite o sustenta. O esqueleto (ou o homem) não está certo do que acontecerá após terminar aquela carta.  

 

É um monte de ossos. É um homem inteiro.

A despedida acontece quando nos esquecemos de nós próprios, quando olhamos para dentro e já não somos capazes de ver coisa alguma, não porque descobrimos que o conteúdo está vazio, mas porque perdemos o dom da visão.

Foi assim que ele decidiu abrir a carta de despedida. Agora só faltavam as palavras que vão preencher a carta entre o princípio e o fim.

Não, ainda não. Amarrota a folha e atira-a para a escuridão que se encontra à sua direita. Não se ouve barulho algum. A carta foi engolida e desapareceu, para sempre. Foi como se nunca tivesse existido. Depois dele, depois de todos aqueles que hão-de ler estas palavras, depois de todos aqueles a quem foi contada esta história que outros leram, depois. Esta carta de despedida não existiu. 

Decide recomeçar.

 

O azeite está já no mínimo. A luz diminui de intensidade. Ou acabas tu ou acabo eu. O monte de ossos move-se por uma vontade. Sente-se a ansiedade na impaciência de um esqueleto que não pára quieto. Desconforta-se na cadeira. Ameaça levantar-se, mas depois lembra-se que tem medo de se afastar da luz pequena e mergulhar na escuridão que o envolve já. Tem de escrever as letras que enchem a folha entre o princípio e o fim. Ou escreves tu ou escrevo eu. 

Ou escreves tu ou escrevo eu, não torno a avisar. Pega numa folha nova e repete o início e o fim que já conhece. O meio é um buraco branco para o qual perdeu o dom da visão. Esforça-se, sem saber se deve escrever a mentira ou a verdade. Falta-lhe a vontade, e as forças últimas perseguem-no já. Apressa-te. Colocou o lápis na folha branca e depois aguardou que este se mexesse sozinho. Escolheu a mentira. Escolheu a mentira, o cobarde. Apresso-me eu, não merece mais o meu tempo. Aproximo-me, escondido pela escuridão. Seguro na mão a última carta amarrotada. Lanço-me sobre ele e estendo-lhe o sopro que extingue a luz do candeeiro a azeite.  

Deixamos de ver. Aguardo que o monte de ossos se desfaça em sons ocos enquanto tombam no chão. Mas não, nada se ouve.

Estou agora certo; este homem nunca existiu.

 

 

(Não Levo Saudade) 

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publicado às 14:13

Acabemos com os «caga-fumos»

por P. Barbosa, em 14.09.13

 

É impressionante e assustador que um dos pricipais componentes da nossa sociedade «moderna» - o automóvel - seja, na verdade, tecnologia do Séc IXX.

 

É altura de terminarmos de vês com os «caga-fumos». Estamos no século XXI, bolas!

 

O documentário abaixo é excelente.

 

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publicado às 15:25

O Quarto Branco

por P. Barbosa, em 18.08.13

O Quarto Branco

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publicado às 11:52

E o ar, não pode faltar o ar...

por P. Barbosa, em 29.04.13

Porquê?
Havendo ideologias e idiotas, havendo comida para comer.
O ódio e o amor também,
E o ar, não pode faltar o ar,
E não nos esqueçamos daquele momento que não sabemos lembrar,
Daquele, quando o coração acabou de dar o batimento,
E fica ali, pendurado, a matutar,
Se vai em frente ou se resolve parar.
Um momento; 
Tenho de olhar.

 

1, 2, 3

Diga lá, como fez?

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publicado às 18:39

Crónica da Morte de um Pai

por P. Barbosa, em 26.04.13

Crónica da Morte de um Pai

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publicado às 18:02


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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