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Ideologias e Idiotas

por P. Barbosa, em 28.12.14

Estão bem umas para os outros.

 

Merecem-se. A ideologia perfeita não tem ideal. Ideal é sinal de fraqueza, prova de que o pensamento necessário não foi completamente executado.

 

Ideologias, teologias, manias; preguiças, conveniências do homem e dos seus ocultos desejos; arranja-lhe os pensamentos, ideias, convencimentos, bulas e mestrados para justificar o que já foi pensado (cospe para o lado).

 

Achamos por bem que sim, que a ideia é boa; boa porque nos convém. Nenhuma ideia desagradável e boa foi ainda inventada, estranha coincidência. Que fazer, então?

 

Os que pensam diferente gritam palavras de ordem e levantam o punho. Erguem barricadas e puxam do gatilho; pensam como toda a gente.

 

E alguns, poucos, apenas encolhem os ombros e seguem em frente: que se atulhem na merda que jorra de um lado e do outro da barricada. Subirei ao topo do monte mais branco e assobiarei para o lado para disfarçar o vento gelado que me queima a pele.

 

Ideologias e idiotas: quem as não tem?

 
 

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publicado às 00:12

PREPARAÇÃO

 

Se és sério, então 

um plano maquiavélico tens de ter.

 

O conselho é bom,

mas quem o dá é suspeito,

pois trás mirra, ouro

e incenso,

e quem dá

não oferece,

apenas espera

retorno

em dobro.

 

O monte relvado 
ao lado do sítio

onde julgo

viver

cresce em altura

três centímetros

a cada ano que passa, 

não por causa de um

qualquer

choque de placas tectónicas,

mas sim da merda ininterrupta 

defecada por donos de cães

ausentes, 

que por ali andam

continuamente

sem um plano

maquiavélico

que os possa orientar,

também.

 

E o verde pontilhado

por excrementos,

apenas assinala os lugares

onde homem e animal, 

ambos

seguros por uma trela,

se cruzam e confundem

num só.

 

O receio

não é o de o homem

se enfiar por um caminho

de urtigas,

mas apenas que esteja

consciente

do que é capaz.

 

Algures, no tempo

futuro,

despedaçaremos os 

nossos sonhos

de agora

com prazer,

pois a imagem

idílica

é sempre mais forte

que a realidade.

 

Cuidamos sempre

bem

das nossas ruínas,

é certo.

 

A mentira e a verdade

são lados opostos

de uma faca.

No gume afiado fica a verdade,

no contra-fio a mentira

(ou o oposto, já não estou certo)

 

Nela,

apenas importa

o uso

que se dá ou não dá

à mão que vacila 

de um lado

para o outro,

alma mecânica

e inquieta

entre o poder maquiavélico

da vontade

e a vontade 

do poder maquiavélico,

como aquele

que agora 

me preparo

para executar.

 

A brincadeira não é semântica,

é séria,

e toca fundo 

e rente

ao lugar entre ser

e desaparecer.

 

Tu escolhes, ou não,

a faca e o pão.

 

Por que precisamos de um plano

maquiavélico?

Em devida altura

tudo ficará

mais saliente.

 

Somos, sem dúvida, 

fotografias 

a preto e branco

de tempos idos, 

os nossos sorrisos

e a alegria incontida

vertidas para molduras

estáticas, passados

longínquos que sempre se parecem

com o presente,

só porque se sente,

ridícula e efémera ilusão,

que os séculos vindouros

confirmarão,

quando inóspitos descendentes

de carne e osso

segurarem 

nas suas mãos,

com um sorriso

e apreensão, 

em fotografias pardas ilustradas 

por molduras cromadas,

o passado, 

o presente, 

o futuro.

 

Dizemos «Não».

A nossa condição

de cautela 

é feroz

e cobarde animal,

pois o que nos aflige, 

sempre,

é o plano maquiavélico 

que nos outros

julgamos existir

(e em nós não).

 

Posso provar tudo o que afirmo,

com o ridículo acrescido de que, 

para isso,

não preciso de dizer nada.

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publicado às 17:44

Somos destroços e procuramos destroços

por P. Barbosa, em 31.10.13
Somos destroços e procuramos destroços.

Vasculho incessantemente no meio do entulho que chamamos vida, que chamamos corpo, que chamamos alma. Tanto para tão poucas mãos, dois olhos, uma vontade.

Quero saber o que fazer com o pedaço de vida corroída pelo tempo que retiro da gaveta esquecida e secular que existe. Esboroa-se enquanto a olho impávido.

Existe e eu não sei porque existe, porque é um pedaço que não inteira, porque é apenas um pedaço na minha mão tão pequena para tanto que exige. Esboroa-se e eu não me incomodo, ou incomodo-me e imobilizo-me, ou imobilizo-me e aguardo que acabe de se esboroar num ponto final.

Aguardo, sempre.

Hoje foi uma espécie de ponto na minha vida. Não um fim, mas antes uma interrupção involuntária e temporária, trocas de universo, mordaz ironia que promete e faz sofrer. Sorri agora para mim. Fito-a na minha louca estupidez.

O desespero é sempre melhor que o medo, sim, percebo-o agora bem, não é uma teoria, é uma verdade comprovada pelas tripas contorcidas pela vontade do tempo e do espaço que guardo dentro, deste presente que me agarra como uma âncora ao fundo de um oceano impávido sem oxigénio para respirar.

O futuro será o que será, triste estupidez nascente da minha ignorante estupidez. Procuro, agora, equilibrar-me num fio que já lá não está. Procuro equilibrar-me quando é necessário voar.

Estatelar-me no chão, eis o destino premeditado por mim e pelo espaço e tempo que guardo dentro. Oculto essa verdade como se fosse algodão acolchoado, queda amparada pela invisível força de uma determinada gravidade.

Abro as mãos, fecho os olhos, deixo o corpo, a alma, a vida estatelar-se no chão.

Destroços.

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publicado às 01:29

Acabemos com os «caga-fumos»

por P. Barbosa, em 14.09.13

 

É impressionante e assustador que um dos pricipais componentes da nossa sociedade «moderna» - o automóvel - seja, na verdade, tecnologia do Séc IXX.

 

É altura de terminarmos de vês com os «caga-fumos». Estamos no século XXI, bolas!

 

O documentário abaixo é excelente.

 

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publicado às 15:25

O Vazio Que Sobra

por P. Barbosa, em 24.03.13

Não sou a vontade de comer e que alimenta o meu corpo. Mexo as mãos e abro a boca por ordem interior. Sinto o doce sabor da comida como recompensa pela obediência, ou a fome agonizante como castigo, tal e qual como quem treina um cão.

 

Não sou a vontade do sexo, nem do seu sucedâneo engano chamado amor, que procura apenas a necessidade prática da multiplicação. O dealer que vive comigo oferece-me gratuitamente as primeiras doses de heroína antes de me usar o resto da vida.

 

Não sou a vontade de viver, necessidade material e objectiva do meu corpo e que, por ignorância e cobardia, assumo também como minha.

 

Não sou a vontade de morrer, vontade que sobressai quando todas as outras desistem de querer.

 

Não sou o meu coração que se movimenta por simples instrução.

 

Não sou os meus membros pés e mãos, que me levam por este mundo e que obedecem apenas às vontades que os controlam.

 

Não sou a vontade de ficar velho, vontade essa maior que qualquer homem, vontade de um universo, de uma natureza maior que não é possível ser compreendida, apenas sentida.

 

Não sou a boca que fala, não sou as palavras que de lá saem, e que são apenas as representações materiais das vontades que vivem cá dentro, mas que não são minhas.

 

Sou o vazio que sobra disto tudo, o ponto equidistante entre vontade, palavra e corpo. Sou a simples intersecção imaterial das linhas invisíveis que os ligam, o centro de gravidade que olha e vê estas coisas à sua volta e, se tiver sorte julga-as por suas, se tiver azar compreende a verdade e se angustia, sem saber afinal o que é e para que serve.

 

Sou um vazio que sabe que é vazio, mas que não é nada.

 

Fecho os olhos e finjo? Abro os olhos e sofro?

 

Será isto uma alma? 

 

Quem sou eu?

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publicado às 17:45

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publicado às 16:14

Não Levo Saudade (eBook)

por P. Barbosa, em 01.03.13

 

Disponível na loja da Kobo, Scribd, Kindle, Nook e no iBooks do iPad.

Espero que gostem. 

 

                            ***  

 

Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres...

 

Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

 

                 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:07

Cabras que parecem pessoas a gritar (vídeo)

por P. Barbosa, em 25.02.13

sem palavras...

 

 

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publicado às 17:22

Aborrecido e Fantástico (ao mesmo tempo)

por P. Barbosa, em 22.02.13

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publicado às 13:40

Instantes de Felicidade (vejo agora)

por P. Barbosa, em 17.01.13

 

A mulher com duas barrigas de tamanho e cabelo pintado de amarelo; ralo,

A velha surrada pela vida (acabou de ser surrada, vê-se bem), 

A gorda de muletas que afoga as mágoas no bolo que come escondido no saco, 

A ameba humana, semi-homem, em pé encostado ao corrimão, olhar incerto, vermelho como um pimento, engravatado num fato barato, pobre coitado,

A jovem andrógina, tem barba? Será rapaz?

As crianças que disputam a atenção da mãe: que felicidade.

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publicado às 18:16


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

Disponível em
iBooks, Google Play, Kobo, Kindle











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