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Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres...

 

Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

 

(Não Levo Saudade)

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publicado às 14:39

Não Levo Saudade (eBook)

por P. Barbosa, em 01.03.13

 

Disponível na loja da Kobo, Scribd, Kindle, Nook e no iBooks do iPad.

Espero que gostem. 

 

                            ***  

 

Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres...

 

Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

 

                 

 

 

 

 

 

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publicado às 14:07

Bicho da Pedra

por P. Barbosa, em 13.01.13

Bicho da Pedra by P. Barbosa

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publicado às 11:52

Vagina Musical (vídeo)

por P. Barbosa, em 20.06.12

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publicado às 17:36

A Tua Beleza Será Sempre Incorruptível

por P. Barbosa, em 19.06.12
O PUNHO

Infinito é o pensamento, 
pois não pode pensar 
que não o é mais.

Vive na redoma de vidro, 
transparente, infinito,
continente plano encerrado
em esfera sem princípio 
nem fim.

A poesia não é para fracos,
nem para corajosos de acção.
Poesia é azeite, sal e mel,
fraco tempero do que sofre 
no engolir.

Apenas os misóginos,
e os miseráveis,
a suportam.

És dona
de incorruptível felicidade.
O sinal preto na face, 
o olhar anguloso,
doce, vaidoso. 

A inveja, 
que não posso tocar,
é meu pecado capital.

A tua beleza fere,
és simulacro de refeição,
que não pode (não será)
satisfeita com um beijo, 
um abraço ou um toque.

A tua beleza será sempre 
incorruptível,
mas eu não.

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publicado às 23:45

Adormeci. Acordei. Esqueci-me de comer o jantar oferecido pela bondade. Adormeci. Acordei. Era de dia e estava parado no passeio. Adormeci. Acordei. Estava deitado e era escuro como breu. Caía uma chuva miudinha que encharcou a minha casa de cartão. Levantei-me e fui urinar junto a uma árvore.

Adormeci. Acordei. Estava a comer um guisado de vitela quente perfumada com hortelã, como há muito não me lembro de saborear. O meu velho companheiro dizia-me que tínhamos de aproveitar estes momentos em que a delícia do estômago e da língua é a nossa própria delícia. Adormeci. Acordei. Estava no meio da estrada e os carros buzinavam à minha volta. Uma senhora ao meu lado mulher abriu o vidro do carro e perguntou-me, não sei porquê, Está bem?

 Adormeci. Acordei. Estava em frente a uma campa, e o meu velho amigo a meu lado perguntando-me, Era isto que procuravas? São estas as palavras de que me falaste? Palavras?, olhei; Não levo saudade Adormeci. Acordei. Estava a dar o noticiário na televisão da montra de electrodomésticos. 

Adormeci. Acordei. Doía-me o corpo, era escuro, estava num beco que não reconhecia, e um grupo de jovens ria-se muito. De mim. Acharam que eu era parvo. Tenho a certeza de que me acharam parvo. Adormeci. Acordei. Olhei para o lado e o meu velho amigo chorava silenciosamente. Disse-lhe, Não achas que o tempo está a passar depressa demais?

Adormeci. Acordei. Vi o sol dependurado no céu. Adormeci. Acordei. Está bem?, disse-me alguém. Adormeci. Sonhei com o meu pai e com a minha mãe.

Acordei. Estava deitado num lugar luminoso, mas em vez do amarelo do sol caía em mim uma luz branca vinda de todos os lados. Não se mexa, disse-me alguém. Está no Hospital de Santa Maria. Estamos a cuidar de si. Não se mexa. Como se chama? Virei o olhar e vi uma cara angélica de bata branca, auscultando o meu interior com um estetoscópio. Aí não há nada, disse-lhe, enquanto ela procurava medir o meu coração. Enrugou a testa. Parou de me auscultar e olhou-me novamente. Como se chama? Lembra-se? Meti a mão ao bolso, trémulo, e tirei um velho lenço sujo com as iniciais M.L. Chamo-me Manuel, o L já não sei o que significa. Não sei o dia certo em que faço anos. Não me lembro já quem é o meu pai e quem foi a minha mãe. Sei que sempre vivi em Benfica. Tenho um amigo chamado António que dorme comigo junto às Portas de Benfica, eu num caixote de cartão de um frigorífico, ele no caixote de cartão de uma arca frigorífica.

 

(Não Levo Saudade) 

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publicado às 22:59

(really) Bent Objects (a minha favorita)

por P. Barbosa, em 29.02.12

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publicado às 00:02

Segredos Perfeitos : Ignorância e Engano

por P. Barbosa, em 02.02.12

 

 

Zodiak (dos escritos legados)

 

Olho para o tecto do meu quarto escuro, abro os olhos o mais que posso, mas não vejo nada. Da rua não vem uma única palavra ou ruído. Se não soubesse que o tecto está ali, seria como estar deitado na minha cama a flutuar em nada, sozinho num vazio interminável.

 

Mas não, a rapariga deitada ao meu lado liberta um movimento ofegante, como se iniciasse agora a respiração para a vida. É apenas mais uma. Como é que ela se chama mesmo?

 

Sou viciado em sexo. Somos todos. Devemos a essa droga a nossa existência, que nos mantém vivos e nos satisfaz e, a mim pelo menos, também faz derrotar.

 

Por vezes sinto a dor da angústia por este prazer frequentemente desejado, sentindo no meu âmago que a necessidade que me consome não é minha, mas do corpo que exige o acto através de uma vontade. E aqui estamos os dois, eu e ela, não sentindo nada um pelo outro, não a conheço e ela não sabe quem eu sou, apenas nos encontrámos numa festa qualquer.

 

Deitados, apenas silenciosamente concordámos satisfazer vontades escondidas e não controladas, convertidas, no meu caso pelo menos, num prazer supremo que durou meia dúzia de segundos. Agora não sinto nada, nem por ela nem por ninguém, um vazio idêntico àquele que experimento quando abro os olhos neste quarto negro, que está cheio de coisas que não podem ser sentidas e vistas.

 

O que mais me incomoda é a consciência de que o acto praticado com ela ser, na sua essência, uma vontade que me é estranha, que foi plantada neste corpo que me foi emprestado, para perpetuar a vontade de alguém ou de alguma coisa, ou para atingir um fim que desconheço, que não é meu, que não controlo e não desejei. Sinto que o movimento de penetração me dá apenas o prazer necessário, mas não a satisfação, para produzir o próximo movimento, na antecipação de um prazer final que chegará mais à frente e que me é prometido em troca de algo, como no drogado que sempre se injecta para satisfazer uma vontade que não desejou.

 

Mas enquanto a droga mata o drogado rapidamente, o dono do sexo usa-nos sadicamente durante toda a vida.

 

E este vício não é só do corpo, mas também da mente. De cada vez que decido fazer, sinto-me transportado para frente de Morpheus, com o comprimido azul da doce ilusão numa mão e o comprimido vermelho da dura realidade na outra. E sempre, de forma consciente, escolho o comprimido azul, porque tenho medo de me confrontar com essa dura realidade; estamos a ser manipulados, brutalmente manipulados, por alguém ou alguma coisa que nos dá prazer em troca da nossa submissão; em troca do quê, na realidade? Não sou o Neo, sou o Cypher, que cobardemente, ou inteligentemente (não sei), escolhe o caminho mais fácil, mais doce.

 

E assim, acordado e enganado, mas com satisfação, faço aquilo que me é ordenado. Enceno correctamente todos os movimentos sem pensar. Ela faz o mesmo, num movimento conjunto estranhamente coordenado, porque nunca ensaiado, de mútua estimulação, dando corpo ao contrato de perpetuação não compreendido pelos fantoches que se tocam. Sinto cordéis de marioneta atados a cada um dos meus membros, manipulados lá de cima por alguém ou por alguma coisa que não vejo no tecto do meu quarto escuro. Se calhar não pode ser visto, apenas sentido. Será que estou louco? Ela está a acordar. Tenho de lhe dar atenção.

 

- Zodiak, meu lindo. Estás acordado? Estava a sonhar contigo, com o que fizemos ontem... vamos repetir a dose?

 

 

(Segredos Perfeitos)

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publicado às 23:01

Subiu para cima do muro do Muro dos Bacalhoeiros e fitou a morta lá em baixo (sorriu). Disse-me, na terceira pessoa, como se falasse de alguém distante enquanto andava equilibrista em cima do muro do muro (os transeuntes olhavam-na), Vitória era jovem, demasiado jovem, dona de uma beleza ainda inacabada (riu-se), quinze anos apenas, mas os homens e as mulheres vorazes não esperam pelo tempo certo, não esperam pela cama certa, não se satisfazem com a quantidade certa, detestam tudo o que é certo, satisfazem-se apenas com os momentos singulares e proibidos; singulares por serem proibidos, proibidos por serem singulares. João e Amélia (a mãe, disse eu baixinho para mim) tinham nomes cândidos e vulgares mas almas vorazes e inacabadas; vorazes por serem inacabadas, inacabadas por serem vorazes. No meio de tudo isto, penso agora, todos eles acabaram devorados pela vida, cada um à sua maneira, todos eles inacabados.

 

Veremos.

 

O presente cimenta-se, o futuro aproxima-se, o passado desvanece. É desta forma que nos concentramos naquilo que é imediato e tomamos as decisões que se impõem; uma faca apontada ao pescoço, por exemplo. Então, o futuro chega-nos de repente, e o presente torna-se saliente.

 

O cansaço não é dos ombros, mas sim dos olhos e das pálpebras, persianas semicerradas que escondem e mostram o mundo, à vez, ora agora vez isto, ora agora vez nada, conveniência do homem, sua salvação até, o que seria de nós se não os pudéssemos fechar.

 

É uma sorte a doença que tenho. O esquecimento perpétuo de que padeço é uma absolvição poderosa. Estou certo de que também eu sou tão inacabado quanto todos os outros, tão mau quanto todos os outros, tão perdido quanto todos os outros. 

 

Veremos. 

 

O esquecimento crónico que me começa agora a assentar tem, apesar de tudo, largas vantagens. Ao esquecer-me de tudo esqueço-me também das coisas más. Estou assim, sempre, a um simples passo da felicidade. Esquecendo-me de tudo torna-se-me impossível mentir. Esquecendo-me de a quem devo lealdade ou favor resta-me a justiça.

 

Por vezes penso que o esquecimento é o futuro da humanidade. E não me digam que precisamos não esquecer para evitar repetir os mesmos erros no futuro. O homem (que não eu) já provou que é tão amnésico quanto eu.

 

Especulo que a humanidade não quer ouvir ou ver. Elaboro a hipótese de que os erros repetidos não são erros repetidos mas tragédias calculadas. Desenvolvo a teoria de que o homem dotado da faculdade da memória perdeu já a capacidade para renascer. Agora só tem medo de morrer.

 

Tiro o meu livrinho do bolso.

 

Escrevo:

 

Teoria (não, Hipótese): O Homem é a memória de si e a memória de si controla o homem. Tudo o resto é um monte que vale nada.

 

Veremos.

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publicado às 23:32

Conluio Com A Memória

por P. Barbosa, em 26.12.11

Estamos bem um para o outro, eu e o tempo, pacto diabólico que não posso (não posso) quebrar (saímos do hospital, o meu pai ficou para trás).

 

***

 

O meu pai morreu e foi cremado três dias depois. Lanço agora as cinzas do topo de uma escarpa de pedra negra que fica para os lados de Cascais. Três dias depois esquecerei que o meu pai morreu, e três dias depois desses esquecerei que tive um pai. Sei-o através de Vitória, que me olha e esboça um sorriso doloroso, não me engana, vejo nítido a verdade representada na sua face (nas suas rugas, uma trincheira).

 

***

 

Toma.

Vitória segura-me o braço quando quer a minha atenção. Vitória cuida de mim numa casa em Lisboa que foi de alguém que já esqueci. Tudo me é familiar e não é, vejo apenas a sombra de uma sombra, sentimento de suspeita de um sentimento, fito Vitória e digo-lhe, Não me lembro, não me lembro de nada…Ponho a mão magra na testa e ouço dentro o som oco de osso contra osso. Vitória segura-me o braço, Toma. Pego o comprimido branco e tomo-o na boca. Engulo-o. Digo-lhe, Sabes… (fico-me por ali).

 

***

 

Os pulhas não têm consciência, ou memória, tanto faz. Estou em casa (numa casa, não sei qual).

 

***

 

Ainda escrevo (Vitória por vezes diz-me, Não sei como ainda consegues escrever). Tiro um livrinho preto já velho como eu dentro, folhei-o (não me interessa já o que lá está escrito, apenas procuro uma folha livre),

 

O amor, contigo, é sempre uma tentativa desesperada para fugir do meu corpo. Não me contes o que acontece quando a luz se apaga. Preciso de te tocar e fingir que toco na minha pele. Preciso acreditar que escapo ao destino. O amor, a cama, a escuridão do quarto, é o desespero a fugir de mim mesmo (perdoa-me). Não me contes nada, nada. Acordemos e vivamos sonâmbulos enquanto a luz durar. Aguardemos que esta se extinga. Depois, viveremos, almas conjuntas, sombras sobrepostas, cada uma escapando-se do corpo do outro por entre os lençóis de logo à noite (fantasma puro).

Quando finalmente partir, não te esqueças de mim (o destino não dói).

A mulher a meu lado lê e pergunta-me, Onde leste isto?

(ela não acredita em mim)

 

***

 

Estás bem?

Não sinto nada.

É melhor chamar o médico.

 

Da janela da ambulância vejo os ramos das árvores despidas pelo outono como raízes que crescem em direcção ao céu.

Vivo ao contrário, mundo inventado, o meu, mas na verdade não sei (não sei) se são as raízes da terra que alimentam as raízes do céu ou o seu oposto.

Nada importa (agora), e a ambulância é o meu primeiro caixão. Percorro a estrada enfeitada por plátanos despidos, percorro o destino já conhecido, nada importa (já).

 

***

 

Deitado na cama do hospital olho fixamente as pessoas à minha volta (não as reconheço). Digo em voz alta, Esta cama já foi do meu pai! (sinto raiva). Um médico aproxima-se e pergunta à mulher que não enverga bata branca, É o seu marido? Juro que se montou um burburinho, e todos colocaram a mão em frente da boca para que não se lesse os seus lábios. Digo duas vezes (quase que me levanto com a raiva que sinto), Não, não!

 

***

 

Tudo é cinza e prata, um enorme campo de batalha. Abro os olhos dentro de mim e o meu mundo é largo, faço-lhe pontaria ao horizonte mas não há maneira de este encolher. Lama e cinza a perder de vista. A espaços, vejo trincheiras que rodopiam no chão como se procurassem desviar-se de alguma coisa. Estão atulhadas de ossos, podemos caminhar em cima deles, e ao longe houve-se o som oco de explosões. Está frio, gelo, caminho ofegante com os pés nus enterrados na lama. Uso a luz da lua como guia para o destino. Continuo sem parar. Atrás de mim, a sombra de um cão e de um rapaz que me diz adeus.

 

Por vezes acordam-me e obrigam-me a engolir qualquer coisa.

Não quero mais. Quem são vocês?

 

***

 

Quanto tempo mais?

Algumas horas… a qualquer momento.

 

Prometo que não me mato até lá.

 

***

 

(alguém segura uma fotografia)

Quem é esta?

…não sei…

 

 

 

 

 

(Não Levo Saudade)

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publicado às 23:36


Livros e Contos


Com o meu pai aprendi que cada palavra é preciosa. Dizia-me frequentemente, com um sorriso desafiador, Cada palavra é preciosa! A verdade tem uma direcção mas não um destino (não te esqueças). Tudo o que eu digo é mentira, vê se descobres... Nunca descobri a verdade escondida naquelas palavras preciosas.

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